Outro dia recebi uma mensagem, dessas de motivação, que se recebe em grupos de whatsap, em grupos de e-mail. Dessas que se vê pelas redes sociais, falando sobre as maravilhas de se ter um filho.
A autora dizia: "- Se eu pudesse dar apenas um conselho aos meus amigos, este seria: tenham filhos!"
Eu estou ruminando essa mensagem fazem algumas semanas. Tenho pensado muito sobre essa coisa de "ter" filhos e aconselhar que os outros também "tenham". Então aproveito essa semana que antecede o dia das mães para fazer meu comentário.
Primeiro que TER um filho não é exatamente o que acontece quando se gera uma criança. Um filho, não exatamente nos pertence. Ele é um ser diferente de nós. Foi gerado, em nós, através de nós, mas não nos pertence, não é propriedade nossa. Um filho é responsabilidade nossa, um filho é compromisso nosso, um filho é preocupação nossa. Pode ser alegria nossa, pode ser amor nosso, mas não propriedade nossa, se é que consigo me fazer entender. Tá lá no Brasil, minha mãe que não me deixa mentir! hehehe...
Por isso, se eu puder dar um conselho aos meus amigos que ainda não geraram filhos, meu conselho seria para que apenas decidam gerar um filho se estiverem preparados para doar-se integralmente para esta responsabilidade.
Gerar um filho, dói. Doi no corpo, quando estamos a espera deles, dói no coração quando eles ficam doentes, dói nos ombros, e nos músculos ,todos, quando eles não querem nada além do nosso colo. Dói nos olhos e na cabeça quando a gente perde o sono por causa das cólicas, da tosse, dos medos noturnos, mas não perde a vontade de dormir.
Saibam que, comercial de fralda nunca mostra uma fralda cheia de cocô, então não se iluda, eles sujam as fraldinhas pra valer!
Esqueça por um bom tempo, banhos demorados, jantares românticos, academias de ginástica, shows de Rock, baladas, cinema, e qualquer programa que não seja suficientemente colorido e confortável para se levar os pequenos.
Privacidade, é algo difícil de ser definido por uma mãe, quando se tem companhia até no banheiro.
Viagem de férias?! não sugiro Las Vegas.
Vai trocar de carro?! Pense num carro espaçoso e saiba que comida precisará ser permitida no interior dele.
A decoração da sua casa vai mudar, protetores de tomadas, borrachas nos cantos da mesinha de centro da sala, e marcas de dedinhos nos vidros é o mínimo.
Frases como depois eu faço, eu já vou lá, e deixa pra manhã, sumirão do seu vocabulário, pois ninguém é tão imediatista como um bebe e suas necessidades.
Portanto, caros amigos, não creio que possamos apenas desejar "ter" filhos. Gerar é mais do que isso.Bem mais!
E ter filhos para consumo próprio, como se gerar uma criança fosse comprar um carro, uma casa, uma sacola de roupas novas pode acabar em muita frustração tanto para quem "teve" com essa motivação, como, e creio que principalmente para quem foi "tido" nessa perspectiva. E o resultado pode ainda ser de abandono. Abandono da criança, abandono de um casamento, abandono da própria dignidade de ser.
Eu demorei 10 anos para decidir gerar meu filho. Foi consciente e conjunta a nossa decisão. Maico e eu decidimos engravidar, e não foi para consumo. Entendo isso como a maior missão que Deus pode confiar a mim até hoje. Não me eximo das minhas responsabilidades, não me privo das alegrias da maternidade, e também admito que no dia-a-dia temos muito mais momentos de árduo trabalho do que de alegre desfrute.
Amo ser mãe. E me sinto feliz com o fato de realmente ser. Minha felicidade está em ser mãe, mesmo enquanto tive as maiores dores, mesmo quando tudo que eu precisaria seria uma noite de sono e não pude ter, mesmo quando ainda hoje eu choro de cansaço, minha alegria não está nas circunstâncias, está no fato de ser, ser quem sou, ser como sou, com todos os atributos a mim concedidos.
Pode parecer duro, mas se eu pudesse dar apenas um conselho aos meus amigos, este seria: - Tenham consciência! Quando decidirem gerar um filho, o façam de maneira consciente!
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Outro dia recebi uma mensagem, dessas de motivação, que se recebe em grupos de whatsap, em grupos de e-mail. Dessas que se vê pelas redes sociais, falando sobre as maravilhas de se ter um filho.
A autora dizia: "- Se eu pudesse dar apenas um conselho aos meus amigos, este seria: tenham filhos!"
Eu estou ruminando essa mensagem fazem algumas semanas. Tenho pensado muito sobre essa coisa de "ter" filhos e aconselhar que os outros também "tenham". Então aproveito essa semana que antecede o dia das mães para fazer meu comentário.
Primeiro que TER um filho não é exatamente o que acontece quando se gera uma criança. Um filho, não exatamente nos pertence. Ele é um ser diferente de nós. Foi gerado, em nós, através de nós, mas não nos pertence, não é propriedade nossa. Um filho é responsabilidade nossa, um filho é compromisso nosso, um filho é preocupação nossa. Pode ser alegria nossa, pode ser amor nosso, mas não propriedade nossa, se é que consigo me fazer entender. Tá lá no Brasil, minha mãe que não me deixa mentir! hehehe...
Por isso, se eu puder dar um conselho aos meus amigos que ainda não geraram filhos, meu conselho seria para que apenas decidam gerar um filho se estiverem preparados para doar-se integralmente para esta responsabilidade.
Gerar um filho, dói. Doi no corpo, quando estamos a espera deles, dói no coração quando eles ficam doentes, dói nos ombros, e nos músculos ,todos, quando eles não querem nada além do nosso colo. Dói nos olhos e na cabeça quando a gente perde o sono por causa das cólicas, da tosse, dos medos noturnos, mas não perde a vontade de dormir.
Saibam que, comercial de fralda nunca mostra uma fralda cheia de cocô, então não se iluda, eles sujam as fraldinhas pra valer!
Esqueça por um bom tempo, banhos demorados, jantares românticos, academias de ginástica, shows de Rock, baladas, cinema, e qualquer programa que não seja suficientemente colorido e confortável para se levar os pequenos.
Privacidade, é algo difícil de ser definido por uma mãe, quando se tem companhia até no banheiro.
Viagem de férias?! não sugiro Las Vegas.
Vai trocar de carro?! Pense num carro espaçoso e saiba que comida precisará ser permitida no interior dele.
A decoração da sua casa vai mudar, protetores de tomadas, borrachas nos cantos da mesinha de centro da sala, e marcas de dedinhos nos vidros é o mínimo.
Frases como depois eu faço, eu já vou lá, e deixa pra manhã, sumirão do seu vocabulário, pois ninguém é tão imediatista como um bebe e suas necessidades.
Portanto, caros amigos, não creio que possamos apenas desejar "ter" filhos. Gerar é mais do que isso.Bem mais!
E ter filhos para consumo próprio, como se gerar uma criança fosse comprar um carro, uma casa, uma sacola de roupas novas pode acabar em muita frustração tanto para quem "teve" com essa motivação, como, e creio que principalmente para quem foi "tido" nessa perspectiva. E o resultado pode ainda ser de abandono. Abandono da criança, abandono de um casamento, abandono da própria dignidade de ser.
Eu demorei 10 anos para decidir gerar meu filho. Foi consciente e conjunta a nossa decisão. Maico e eu decidimos engravidar, e não foi para consumo. Entendo isso como a maior missão que Deus pode confiar a mim até hoje. Não me eximo das minhas responsabilidades, não me privo das alegrias da maternidade, e também admito que no dia-a-dia temos muito mais momentos de árduo trabalho do que de alegre desfrute.
Amo ser mãe. E me sinto feliz com o fato de realmente ser. Minha felicidade está em ser mãe, mesmo enquanto tive as maiores dores, mesmo quando tudo que eu precisaria seria uma noite de sono e não pude ter, mesmo quando ainda hoje eu choro de cansaço, minha alegria não está nas circunstâncias, está no fato de ser, ser quem sou, ser como sou, com todos os atributos a mim concedidos.
Pode parecer duro, mas se eu pudesse dar apenas um conselho aos meus amigos, este seria: - Tenham consciência! Quando decidirem gerar um filho, o façam de maneira consciente!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário