domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vendo através da fechadura

Faz um tempo que não escrevo em nosso bolg, e fiquei surpresa quando hoje ao decidir escrever nem lembrava da senha. A última postagem foi feita logo após termos chegado aqui, neste novo lugar, para este novo tempo de vida. E hoje vou escrever um pouco sobre a vida... Essa vida que estamos vivendo nesse tempo, vida que temos permitido que alguns vejam, e a vida que outros por estarem tão distantes de nós, só enxergam através da fechadura. No último ano temos aprendido muitas coisas. Em especial a valorizar a vida, preservar o que é íntimo e permitir que muitos vejam o que é público. Quando chegamos aqui não usamos as redes sociais e tínhamos certo receio quanto ao uso dessa ferramenta. Mas logo percebemos que o contato com as pessoas que amamos e ficaram no Brasil, seria muito facilitado através disso. Portanto, em poucos meses estávamos rendidos, uma vez mais, as postagens curtidas e espiadinhas que este "Big Brother" do mundo maravilhoso de cada usuário nos oferece. Porém, algo importante a ser notado é que todos tem uma vida maravilhosa nas redes sociais. Não devemos nos enganar pensando que tudo que vemos é TUDO que há. Devemos ter a maturidade de reconhecer que só vemos o que nos permitem. Logo, criar um conceito de vida com base em postagens eletrônicas é uma grande tolice. Quando eu preciso chorar, quando eu preciso desabafar, quando eu estou triste, ou tenho uma crise emocional, (e eu as tenho, porque todo ser humano normal tem momentos de alegria e de dor, de trabalho e de descanso, dias bons e ruins, e isso é a vida de verdade) quando eu preciso tomar uma decisão, quando eu dou um passo a frente, quando eu conquisto algo novo, essas coisas, não são expostas em redes sociais, porque são coisas que só podem ser ditas a quem se ama, num telefonema, num encontro, numa oração, num olhar, num abraço. A vida não é feita apenas de belas fotografias, de viagens, paisagens, risadas e boa comida. Tem dia que o arroz queima, tem vezes que o dia está cinza, tem hora que o cabelo está bagunçado e a sobrancelha está por fazer. E só sabe disso quem chega para o almoço, quem reconhece no olhar o cansaço de um dia longo. Essas são imagens para íntimo ver. Não estão disponíveis para duzentos, quinhentos, ou mil "amigos". O que vemos nas redes sociais é o que nos permitem, e o que nos permitem, é um momento que foi construído por muitos anteriores. Normalmente quem muito se agrada do que vê nas fotos alheias, não se agradaria nem um pouco em trilhar o caminho que o outro trilhou para chegar até a "imagem perfeita". Vivamos nossas vidas da maneira mais intensa que pudermos. Amemos mais, e alegremo-nos com o que temos para hoje. Aproveitemos o processo de construção do amanhã, porque nem sabemos se ele virá! E lembremo-nos de jamais desejar a vida dos outros, porque quando se pensa que alguém está vivendo um conto de fadas, possivelmente só se está enxergando através da fechadura, da fechadura que os outros nos permitem ver.

Um comentário:

MEYS disse...
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